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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Perdão.


Aquelas mãos, ele sabia, eram dela
que haveria de ter reconsiderado voltar.
  Tapavam-lhe os olhos que já estiveram cegos,
mesmo antes dela, agora, os tapar.
  E dentro dele, um tremor ao lembrar
como seu gesto fora rude.
  Mesmo assim, ela voltava...
  Com aquelas mãos suaves,
que o corpo dele tão bem conhecia,
cujo perfume tão bem lembrava,
tapando-lhe os olhos, parecia dizer:
  - Pensei que ficaste cego, mas te perdoo,
porque teu silêncio assustado
e o tremor que tentas esconder
me contam que tu me reconheces.

veraalvarenga

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Durante a noite...


Conforme envelheço parece que cada noite rouba-me um pouquinho do riso antigo.
 No entanto, enquanto durmo, se não estou enganada ou seria um sonho?
 Uma senhora bondosa, com vestido azul escuro sob um avental de branco puro,
vem banhar-me com águas mornas como se eu fora ainda criança.
Toma-me nos braços e com a caneca iluminada pela luz prata da lua,
joga-me água límpida enquanto estou assim, de tudo, nua.
- Pronto, estás banhada. Lavei-te a alma como sempre. É o que ela me diz.
E de manhã acordo pura. Perdoei, fui perdoada. Bendigo a vida. Recomeço.
Mais um dia para ser gente. Sorrir, chorar ou aquietar-me. Vencer os medos,
mergulhar nos silêncios e emocionar-me. Sentir saudades e amor, amar.
Buscar significados, significar. Resgatar esperanças,  tentar ser feliz! 

foto/poema: Vera Alvarenga

domingo, 31 de agosto de 2014

Olhos postos em mim...


Vivo aqui, no lugar em que me plantaram. Por vezes, vejo teu olhar em minha direção...

às vezes, olhas para mim e o calor de teu olhar é como o raio de sol quando me alcança...
e mesmo na minha discrição, sinto que me escolheste porque viste beleza no que sou...
isto me define...me sinto bela... e te dou meu mais belo sorriso.

Muitas vezes porém, sinto que olhas apenas através de mim,
teu olhar posto naquilo que nunca serei...
Isto me desconcerta. Embora o sol ainda me aqueça,me retraio,
já não sei se posso continuar bela como sinto que podia ser,
porque a existência não existe apenas por si, mas pelo olhar que lhe dirigem...
Então, sou grata à natureza que me fez morar à sombra de uma árvore
e escondo ali meu desapontamento...
Contudo, dentro de mim há, em essência, a vida em divina centelha e
a cada novo amanhecer ainda olho em direção ao sol e sei que algo maior que eu
olha para mim... e brilho mesmo assim,
ainda que apenas nas cores do que sou.
( Clique nas imagens para ver melhor o efeito das fotos em relação ao foco do olhar...)
fotos e texto: Vera Alvarenga

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Gato na janela....

 E um dia, ela entrou por aquela porta.
Ao apagar a luz, pode ver na penumbra
o gato afastar-se silencioso e postar-se
à janela,com o mesmo olhar indiferente
com que seu dono olhava através dela.
E da janela, a luz que entrava, ainda
iluminava o livro aberto sobre a mesa
e a cadeira onde ele agora, se recostava.
Andando lenta mas decididamente, chegou perto
e sem hesitar um instante, porque sonhava,
estendendo a mão, tocou-lhe o rosto
e mesmo à pouca luz, olharam-se,
e ela viu naquele rosto tão querido,
o sorriso que, para ela, foi dirigido.
E viram, um no outro, o que era para ver
e souberam tudo o que era para saber.
Ela o beijou, docemente,
sem receio de ser mal compreendida...
e se beijaram de novo e ardentemente
como quem, finalmente, retorna à vida.

Foto retirada do Google ( com citação para br.freepik.com)
Poema: Vera Alvarenga

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A árvore, a mulher e o menino...

Havia uma árvore ali em algum lugar. A mulher passava e não a viu, mas viu o carro. E nele estava a árvore, nua como ela, e também as suas pétalas que antes a enfeitavam... 
O carro estava lindo! E ela teve uma idéia. Inspirada por aquela imagem (seria uma simples ilusão como aquelas sombras na caverna?) criou uma realidade. E escreveu o rascunho de um livro que chegou às mãos de um menino triste. Ele folheou as páginas de papel feito de árvores, e leu as palavras que falavam daquela outra que havia em algum lugar. Sorriu.
Um dia o menino, que já sabia sorrir, criou sua própria realidade, cresceu e conheceu outros lugares no mundo. O mundo era bem maior do que aquela rua onde havia aquela árvore em algum lugar, e onde nasceu uma idéia, graças a uma ilusória imagem. O menino, que voltou homem feito, cheio de idéias e ilusões, falou a 12 meninos tristes sôbre aquela história..... e.....

 Crônica fotográfica: Vera Alvarenga.

domingo, 29 de abril de 2012

O que fizeste?

Fizeste de mim o que não podia ser.
Seria teu rei, se eu a quisesse ter!
Puseste sobre meu corpo
um manto que não me serve.
Moldado sou em carne e osso
como o barro de tuas esculturas,
mas dentro, meu sangue pulsa e ferve
de minhas alegrias, não das tuas,
de minhas dores, de meus amores.
Se não sei mais sonhar, vivo.
Nem sei se ainda sei amar
mas ainda creio em meu velho instinto
e só ao meu desejo, sigo.
Quisera, contudo, compreender...
como pensei que me conhecias?
Como ouviste meus gritos mudos,
e acima de todos os absurdos,
como me colocaste assim
nas profundezas do teu ser
se nunca eu a tomei para mim?
Se nunca, verdadeiramente, me aproximei?
Não consigo crer neste laço imaterial,
irreal e antinatural, que somente uma mulher
pode, deste modo, absurdamente conceber!

Foto retirada do Google imagens.
Poema: Vera Alvarenga 

terça-feira, 7 de junho de 2011

E um homem... se fez anjo.

 
E um homem... se fez anjo.
Ele estava lá, sozinho, pensando em como continuar, qual seria o próximo passo a dar.
Sentia-se desolado com a própria incapacidade de decidir sobre o rumo de algumas coisas, com sua impotência diante do imprevisível, com a impossibilidade de controlar o bem e o mal, a dor e o medo. O que poderia dizer para dar a ela um pouco de esperança, força ou fé, diante de tão grande desafio? E ela parecia tão pequena...e frágil agora, depois das primeiras, corajosas mas frustradas tentativas em busca da própria cura.
O que poderia fazer para devolver a si próprio e ao seu coração a tranquilidade dos dias que já iam longe no tempo? Aqueles dias se foram para sempre, junto com a juventude e a inocência dos que, sem pressa, pensam que o tempo lhes pertence e permitirá que as alegrias se perpetuem na vida. A vida, agora ameaçada. Não apenas a vida dela mas, igualmente a sua, em conseqüência.
Nada e ninguém era para sempre!
De cabeça baixa, no escuro da noite, deixou que algumas lágrimas rolassem de seus olhos. Sensibilizara-se por ela, mas as lágrimas eram também por sua própria história. Ninguém veria. Ali, sozinho, estava livre para chorar, sentir o assombro diante de sua insignificância. Não tinha tanto poder como imaginara. Não tinha aliás, nenhum poder . Sentiu certo alívio por desarmar de si mesmo a postura de quem nunca perdera o equilíbrio. Sentiu-se um pouco tonto. Sentou-se. Se continuasse de pé, cairia de joelhos, numa humildade que não reconhecia em si.
Respirou fundo. Entregou-se.... não mais ao sofrimento, nem ao desânimo, nem à saudade, apenas à certeza de que não podia controlar tudo. De cabeça baixa, quis orar. Não sabia quais palavras seriam as mais adequadas, então apenas as sentiu. Assim em silêncio, orou a um Deus que nem sabia como era, um Deus só seu, que talvez nem existisse, ou nunca o ouvisse...
Este Deus tinha de ser grande agora. E ele lhe pedia por inspiração. Quem o visse daquela maneira, por aquele ângulo, juraria que neste momento, de suas costas soltavam-se quase transparentes asas, que se abriam.
Após alguns minutos, respirou fundo e levantou-se, como se estivesse mais leve. Uma idéia o animou. Já sabia o que fazer... não podia controlar o presente, nem os fatos, nem o medo dela, nem curá-la, mas podia levar-lhe uma palavra, a idéia de um sonho pelo qual lutar, um sonho que a faria desejar também ter asas, algo para crer em si.
E assim, caminhou ao encontro dela, levando consigo um desejo, uma luz. Se ela não tivesse asas, este desejo certamente a sustentaria, para além de seus limites!

E assim, aquele homem foi em direção da mulher e como um pássaro ou anjo, e sustentado por uma lembrança sentiu-se forte, emprestou-lhe suas asas, porque ela antes, já fizera isto com ele, num dia não muito distante daquele ....

foto retirado do Google images
Texto: Vera Alvarenga  

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"Convite para um Herói..."

Herói! Escuta!
Não pedi para abandonares armas
enquanto ainda precisavas delas,
mas que abrisses mais espaço,
para eu poder entrar na tua vida
e desejei o teu mais terno olhar.
Lembras? Não sou eu, tua inimiga!
Sou tua companheira, tua metade,
que te lembra, dos outros, a bondade
que também vive em teu peito.
Sou mulher, não gosto da guerra,
meu corpo é feito para amar.
Este é o convite que tantas vezes faço...
Vem, homem! Põe asas no olhar!
Perde um momento comigo!
Me dá um abraço,
tira a carranca da cara,
inspira o perfume da noite e o meu,
relaxa! Aceita a flor que trago, pois
ela faz parte do que sou, meu amigo!
Deixa o espelho e as medalhas
com tua armadura, de lado,
por algum tempo a te esperar.
Eu, já esperei muito por ti.
Antes de partir,
também preciso do teu olhar!
Acaso viste hoje, esta lua?
Foi ela que me fez assim...
é dela também o ritmo
que em harmonia, pulsa em mim.
Não estás cansado de briga?
Teu peito já traz costurado,
um coração remendado, e agora,
mais esta cicatriz de tuas batalhas.
Não concordas que era chegada hora
de transformar tua motivação?
Decidir tudo, consertar o mundo,
apontar todos os erros, pra quê?
Valerá a pena assim combater?
Deixa estar livre teu coração
e a chama que nele ainda arde.
Vive, homem! e deixa viver!
Só o amor justifica a intenção.
Acorda para o bem da vida,
antes que seja tarde !

Poesia:Vera Alvarenga
Foto: pode ter direitos autorais.Retirada do Google imagens.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

- " Então...melhor assim..."

-" Onde está, mulher!?
    Onde seu olhar se escondeu?
    Psiu! aqui, no meu canto.
    Já nem estou indignada,
    apenas me deixo ficar calada.
    Me retraí... Melhor assim.
    Se me olhar nos olhos, verá,
    que aquela pequena e serena,
    fraca e forte, menina e mulher,
    ainda está aqui. Todas,sou eu.
    Hoje, não me culpo mais, e
    não quero apenas me conformar.   
    Hoje, eu sei mais de mim!
    Tenho pressa, quero amar!
    Sei que busco,que  me perco
    que  me iludo facilmente.
    Sei de mim! Sou carente ! e
    se te encontro, te ajudo,
    te amo e sigo docemente,
    no sonho que é meu...
    Esta sou eu!
    Contudo, se for só meu, o sonho...
    Então...melhor assim.
    Não se aproxime de mim
    não me queira tocar,
    com fracas palavras.
    Não quero amar o sol
    que de tão grande, meus
    braços não possam abraçar.
    Não quero amar a chuva fina,
    que se espalhe, por aí e
    a tudo e todas queira tocar.
    Quero a tempestade,
     forte, verdade! depois...o raio
     de sol que brilha, sem ferir.
     Porque sou assim, natureza,
     ternura, coragem, certeza!
     Não tenho mais tempo
     para fingir que sou feliz.
     Nem para inventar o homem
     valente, amigo e cúmplice,
     porque não teme amar!
     Seremos "nós".. ou fico aqui!
    Agora... sei mais de mim!
    Foi tanto que já me dei.
    me entreguei e me despi!
    Prefiro ficar aqui...melhor assim.
    Só saio de mim, se for pra me diluir,
    se for para me libertar,
    no abraço maduro do homem
    que queira me dar
    o seu olhar mais contente,
    e sem medo, com ternura me diga:
    " quero você, mulher, em minha vida!"
    Então, eu não me cansarei
    mais de o amar!
    Seremos dois cúmplices a seguir,
    vivendo em sonho, o resto de vida
    que juntos, faremos que valha a pena!
    E eu? Voltarei a ser, eu
    mulher, ardente e serena".
 

segunda-feira, 8 de março de 2010

- " Uma Oração de Mulher "


 
                                        -" Deus! ouve minha oração! 
                                        Tu és aquele que sempre soube                              
                                        o que motivava meu coração. 
                                      A ti eu pedia, quando jovem,diariamente 
                                        que me inspirasse e ajudasse a ser  
                                        boa mãe, boa esposa, boa amante 
                                        e por tudo,  vinha lhe agradecer.  
                                     Sei que será o único a compreender  
                                    porque aqui venho hoje, novamente.  
                                 Perdoa, mas minha alma é sonhadora e  frágil, 
                                   não tem a idade que o tempo já trouxe,  
                                       e anseia ainda por poder crer,
                                     no que terá que ver refletido no olhar do outro:  
                                  que ainda pode ser o anjo de alguns momentos, 
                             manter a ternura da amante,ser confidente e dar amor                   
                                         mas,que seja ao  atento companheiro.               
                                    Minha alma, tu sabes, esperou o bastante,
                                          acorda meu companheiro, Senhor!
                              E que, no meu coração, a capacidade de amar                                                          como uma luz,não se apague mais..e volte a brilhar!"

autoria : Vera  Alvarenga


sábado, 6 de março de 2010

- " Segredos de Beleza de Uma Mulher"

   Recebi por email este lindo vídeo. Reeditei e o coloco aqui, como um presente para todas nós, mulheres e também para os homens que sabem valorizar a beleza da mulher.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

- " Pirilampo, minha luz..."

 
Pirilampo, minha luz
eu queria te fazer, meiga e suave
e te ver do amor brotar, como uma semente.
Um azul, de mar no olhar
um riso inocente,
como um sol a despertar, displicentemente...
A coragem de um soldado, em tempos de guerra,
mansa e fértil,como a terra, em tempos de paz.
Sempre alegre como um lar,cheio de crianças
realista, mas capaz, de ter esperanças!

Pirilampo,minha luz,
eu queria poder te dar, asas de andorinha
pra te ver livre voar, mas nunca sozinha;
o cabelo solto ao vento, um cheiro de jasmim,
como um rio ,que corre lento ,te ver crescer assim.
Imprevista como a chuva, que corta o verão,
a firmeza de uma rocha
 e um grande coração....
Pirilampo, minha luz,
sempre em meus sonhos eu,
te sonhei assim....

Vera alvarenga        1982.

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